
"Your revolution is over, Mr. Lebowski. Condolences."
Uma das grandes belezas da internet, o que a distingue de muitas outras tecnologias, é a sua estrutura anárquica. Não pertence a nenhum governo específico, tampouco a alguma empresa. É constituída basicamente de computadores conectados pelo mundo através de padrões abertos, com conteúdo feito pelas pessoas. E a internet ainda é muito disso, mas o ano foi bastante movimentado de novidades, principalmente no que diz respeito à nova briga pela Melhor Rede Social. Que, trocando em miúdos, é também uma briga pelo domínio da internet.
O caso recente do Google Reader foi bastante emblemático da situação atual: o Google mudou o site a contragosto de seus usuários, em prol de uma nova rede, seguindo obviamente a sua própria visão empresarial. Os usuários do reader olharam em volta em busca de alternativas, apenas para se depararem com o fato de que não existem mais alternativas. Em algum momento existiu, mas uma a uma foram substituídas pela opção Google. Seja por sua qualidade, sua praticidade, porque "todo mundo usa", ou o que quer que faça o Google ser popular.
O Youtube, que é propriedade do Google, também teve sua parcela de mudanças. Aparentemente a propaganda através de pequenos anúncios discretos, os famosos GoogleAds, não é mais suficiente, e o site começou a veicular comerciais nos vídeos. Alguns são puláveis após alguns segundos, outros somos obrigados a assistir. O Youtube tá se profissionalizando e ganhando caras de um outro meio de comunicação popular, aquele que é a antítese da internet, a TV.
Ainda no tema de mídias audiovisuais, existe a novela sobre direitos autorais na internet, que ainda está meio às escuras, mas a indústria certamente tem dados seus passos na tentativa de controlar o que vemos e ouvimos. Acredito que o ECAD já arrecada direitos do Youtube. Além disso, o iTunes chegou no Brasil, o Grooveshark parece estar nas últimas, e ao mesmo tempo diversos serviços pagos para streaming de música estão chegando.
Os blogs estão em declínio desde o Twitter e o Tumblr, e já não cumprem mais a função de comentar assuntos. Agora são comentados nas redes, Facebook e Google+, que agregam cada vez mais funções. Aliás, é amplamente divulgado que esse é exatamente o objetivo de ambas as redes sociais, agregar funções.
A internet possui uma infinidade de sites, mas a sensação é de estarmos dentro da GoogleNet ou FaceNet, acessando sempre o mesmo microcosmo de páginas. Em 2011, à medida que a internet se profissionaliza, parece que os hippies perderam. Somos cada vez mais consumidores na rede. Fica a dúvida se em algum momento iremos lembrar da internet anônima e anárquica como algo do passado. Nada está perdido, entretanto: a essência da rede ainda é a mesma, ao menos. Iniciativas como o Queremos devem ser exemplos a serem seguidos, da força da mudança que podemos alcançar através da internet. Mas é importante ficar esperto.
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